Como entender tamanha intolerância?
Costumo dizer que o brasileiro não sabe onde vive, porque não se interessa pelo presente – ou seja, o cotidiano – nem pela realidade de um mundo que está cada vez mais acelerado e totalmente sintonizado.
Nossa visibilidade está restrita a meros e empolgantes motivos de pouca monta para um universo que, na verdade, se restringe a um círculo de poderosos que jamais deixarão de se tornar chefões (mandam e desmandam; e obedece quem tem juízo).
O povo não acordou ainda desse ranço maldito de esculpir tiranias em areias movediças. Não cabe mais, em pleno século XXI, discutirmos serventias em cercanias de jardins que não foram cultivados com maestria e presteza.
Digo isso porque, há algum tempo, uma senhora, empregada doméstica, foi impedida pelo porteiro do prédio de usar o elevador social, mas – pasme – ela era moradora!!!
O que isso mostra?
Cultura pautada em valores ultrapassados, retrógrados, distanciados de uma verdade real, que não mais vincula sua cor com sua inaptidão mental, preguiça, vagabundagem, lascívia etc.
Não há mais espaço para tamanha "tacanhice". Sofremos de um mal generalizado, infelizmente. Nossa elite é transversa e reflete na sociedade esse estrabismo.
A ferida está aberta, e não se consegue cicatrizá-la.
Um círculo vicioso se forma de cima para baixo e de baixo para cima, e nessa ciranda só os mais espertos se adiantam, mas não chegam a lugar algum, posto que o mundo , fora desse celeirozinho Braziliensis, não costuma abarcar esse modus vivendi.
Quem se interessa em ser precisa se desvincular dessa mágoa do passado... Ter, possuir, conquistar estão relacionados a um merecimento real, onde os caminhos são ladeados por processos igualitários.
Mas também sabemos que neste universo tão particular de um país subdesenvolvido sobreviver é quase uma façanha espetacular para quem transgrediu as normas da pobreza absoluta, vivificada por paradigmas inimagináveis (ver Cidade de Deus), e onde seus conflitos se escondem nos meandros de uma burguesia apadrinhada pelo poder paralelo.
Judiciário, Legislativo, Executivo para quem???? Vossa Excelência! Doutor! Meritíssimo!
E assim será, até nos convencermos da necessidade premente de luta pela igualdade, pelo respeito, pelo direito à cidadania.
E esta frase, tão peculiar de uma cultura baseada no racismo e preconceito, quem sabe um dia nunca mais será ouvida:
"VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?"
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