sábado, 15 de junho de 2019

EU







Quem diria
Que um dia
 Assim do nada
Talvez, 
Da magia
Eu fosse feliz
Na rotina
Nem o tempo
Nem a medida
Nem a lua
Nem o sol
Tão eternos
Conciliados
Me dessem
A paz dos acordados
Felicidade
Alegria
Enfim, eu
Comigo
Parceira
Encantada
Divina!

A SOMBRA ENVIESADA





Por que me buscas com sofreguidão?
Não quero mais sentir esta agonia...
Minhas metades me imploram liberdade
E nesse vaivém de obsessão desvairada
Me perco na imensidão do nada!

Não podes ter o que não cativas.
A posse se desfaz no próximo senão (se não?)
Vivo, ainda, porque sei que é minha sina
Não por ti nem por ninguém.
Meus laços, presos, estão
A minha alma, ao meu espírito
– ao meu livre-arbítrio –

Te encontrei por acaso
– na esquina do pecado –
E me feres com a sua insensatez.

Não sei por que insistes nesse desvario.
Tudo é tão milimetricamente destituído de sentido
Que perpassa o viés do dia a dia
Como a  fome, a sede, o sono,  a rotina...

Mas o que luto para resgatar é a flor de Lótus
Que um dia descobri escondida
Na essência de um Estar!

Seja eternamente feliz!

E deixe-me viver em paz.

...

sábado, 1 de junho de 2019

Despertar



Não posso ser o que não pressinto.
Se julgas que sim,
Percebo a ilusão.

Não me feres com sua angústia.
Somos partes imaginárias de uma metafísica.

Se choras, choro...
Por que essa tristeza incontida?

Não há milagres sem súplicas...

Se oro por afastamento,
E em outra esquina implora-se a comunhão,
Só mesmo o desassossego emerge nessa luta de contrários.

Por que padecemos de egoísmo?
Que infortúnio desregrado.
Virou obsessão!

Que nome dar à dor do nunca ter sido,
Posto que viver é mais do que tudo isso...
Não se pode ter aquilo que não foi escolhido
Nem pelo coração nem pela razão.


Há frutos que devem ser colhidos,
Pois de outra forma apodrecerão.
O tempo de colheita ainda é possível!


Não se pode esquecer os desígnios...
Se houver amor, seja de que natureza for,
Ainda vai valer a pena...

Sejamos felizes à nossa maneira.
E libertemos nossas almas
Para além do sofrimento ilusório,
De nossa tênue fragilidade indefesa.

Todas em uma



Há em mim muitas Betes


Que não consigo dominar

Suas vozes me sufocam

Não me deixam calar

Berram, gritam, imploram

Estremecem meu ser

Acordam meu espírito

Libertam a alma, assim, sem saber

Revoltam-se em coro

Contra o absurdo da razão

Transgridem a ordem


Semeiam o perdão


Enfim, neste teatro



De tantos personagens histriônicos



Resta uma espectadora



Atente e resoluta 


Assombrada com a vida real

 Segue seu rumo ...

ELAS



Como não ficar assim,
Extasiada.
Como não chorar a perda estancada.
Como não se entorpecer de saudade, arrebatada.
Não dá para ser normal.
Não se deve acorrentar o nada.
Viver é uma tragicomédia anunciada.
Rir, sim, rir
É tudo que cabe de antemão.
Chorar, sim, chorar
Secar o coração.
Lembrar Clarice e Cássia
Num mundo de ilusão
É suportar a cicatriz sangrando
E deixar escorrer a dor da mutilação.


                                                               ...