Não posso ser o que não pressinto.
Se julgas que sim,
Percebo a ilusão.
Não me feres com sua angústia.
Somos partes imaginárias de uma metafísica.
Se choras, choro...
Por que essa tristeza incontida?
Não há milagres sem súplicas...
Se oro por afastamento,
E em outra esquina implora-se a comunhão,
Só mesmo o desassossego emerge nessa luta de contrários.
Por que padecemos de egoísmo?
Que infortúnio desregrado.
Virou obsessão!
Que nome dar à dor do nunca ter sido,
Posto que viver é mais do que tudo isso...
Não se pode ter aquilo que não foi escolhido
Nem pelo coração nem pela razão.
Há frutos que devem ser colhidos,
Pois de outra forma apodrecerão.
O tempo de colheita ainda é possível!
Não se pode esquecer os desígnios...
Se houver amor, seja de que natureza for,
Ainda vai valer a pena...
Sejamos felizes à nossa maneira.
E libertemos nossas almas
Para além do sofrimento ilusório,
De nossa tênue fragilidade indefesa.